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Torre de Marfim

EP 1

A Trajetória de um Professor-Pesquisador - Leonardo Pereira

2 de Maio, 2025

20 min

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Episódio com Leonardo Pereira, Professor da Ciência da Computação Rio Claro

Olá, leitores! Sejam muito bem-vindos ao blog Torre de Marfim, um espaço dedicado a conectar ciência e curiosidades para quem está de olho no futuro. Escolhemos o nome Torre de Marfim como uma provocação, trazendo à tona a questão: “Por que a universidade ainda parece tão distante da sociedade?”. Este post é um convite para refletirmos sobre essa ideia e o impacto que esse distanciamento gera em todos nós.

No episódio de estreia do nosso podcast, tivemos a honra de receber o professor Leonardo Tórtoro Pereira, pesquisador e docente do DEMAC/IGCE na UNESP de Rio Claro/SP. Mestre e Doutor em Ciências de Computação e Matemática Computacional pelo ICMC-USP, ele compartilhou conosco suas experiências acadêmicas e reflexões sobre a importância de aproximar a universidade da sociedade.

O Ponto de Partida: Dos Jogos ao Código

Tudo começou com uma paixão que muitos de nós compartilhamos: os videogames. Ao refletir sobre o que faria da vida, a resposta para Léo parecia clara. Com a dica de um primo, o objetivo foi traçado com entusiasmo.

“Pô, legal, né? Vou fazer faculdade e vou fazer o próximo Final Fantasy, né? Tipo, foi literalmente minha linha de raciocínio. Eu falei: ‘Bom, computação, é isso, vamos lá’.”

Essa motivação o levou à USP e a um grupo de extensão de desenvolvimento de jogos, o FOG (Fellowship of the Game). Foi lá que ele descobriu que a realidade era mais complexa — fazer um jogo não é nada fácil —, mas também foi onde a paixão pelo desenvolvimento se solidificou.

O Ponto de Virada: A Escolha pela Academia

Leonardo Tórtoro Pereira
pesquisador e docente do DEMAC/IGCE
na UNESP de Rio Claro/SP. Mestre e Doutor
em Ciências de Computação e
Matemática Computacional pelo ICMC-USP

O Léo conta como o ambiente universitário é importante para moldar carreiras, assim como foi em sua experiência, onde apesar de inicialmente visar o mercado de trabalho, uma experiência mudou completamente o rumo de sua carreira: a iniciação científica. Em 2012, a ideia de pesquisar jogos no Brasil era praticamente inexistente, e a descoberta de que isso era possível foi um divisor de águas.

Essa experiência, somada à oportunidade de ajudar a criar uma disciplina de jogos no final da graduação, acendeu a chama pela docência. A decisão foi tomada: o caminho não seria o mercado, mas sim a união de suas três paixões.

Apesar dos desafios, o cenário está mudando. Projetos de extensão universitária, como iniciação científica no ensino médio, eventos em praças públicas e podcasts de divulgação científica, têm ampliado o diálogo entre a universidade e a sociedade.

“Eu não vou pro mercado, eu vou fazer pesquisa, vou fazer mestrado nisso, tentar virar um professor, porque eu gosto de dar aula, eu gosto de pesquisa, eu gosto de jogos, vamos tentar unir tudo.”

Para Além da Torre: Conectando a Ciência à Sociedade

Um dos grandes temas da conversa foi a dificuldade de levar o conhecimento produzido na universidade para fora de seus muros. Léo mostra os estigmas acadêmicos citando a “ciência de papel”, aquela que existe apenas para ser publicada em artigos, e defende uma pesquisa aplicada, que resolva problemas reais da população. Ele ressalta a importância da divulgação científica como uma ponte essencial.

“A gente precisa muito tentar cuidar dessa parte de extensão, de divulgação científica, né? Como podcasts, como esse, eu acho que são muito legais, eh, redes sociais, tente fazer essa divulgação para chegar mais perto da população.”

A Vida de Professor: Desafios e a Maior Recompensa

Leonardo desmistifica a ideia de que o professor universitário apenas dá aulas. Na verdade, a docência é apenas uma parte de um tripé que inclui pesquisa, extensão e gestão. Manter-se atualizado com um mercado em constante mudança é um desafio, mas a maior recompensa supera qualquer dificuldade.

“Semana passada eu trombei com uma aluna minha de banco de dados, ela falou: ‘Nossa, tô usando muito banco de dados no trabalho, a sua aula me ajudou muito’ […] ‘Nossa, me ajudou muito ter aprendido algoritmos com você’. […] Isso, cara, para mim isso é toda recompensa que eu preciso.”

O episódio de estreia da Torre de Marfim é um mergulho na jornada de quem escolheu a academia por paixão. A conversa reforça que, embora desafiadora, a carreira acadêmica é movida pela gratificação de formar novas pessoas e de ver o conhecimento gerando frutos na vida dos alunos. É um lembrete da importância de experimentar, encontrar sua vocação e, acima de tudo, conectar o conhecimento com o mundo real.

Este blog é mais uma tentativa de abrir as portas da nossa torre de marfim. Queremos discutir ciência e tecnologia de forma leve e acessível. O que vocês gostariam de debater conosco? Deixem suas sugestões nos comentários e contem para nós: como vocês percebem a relação entre universidade e sociedade?

Ah, e não se esqueçam de conferir o episódio do nosso podcast Torre de Marfim, disponível no Spotify. Até mais!

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